Estudo recomenda reforço da vigilância epidemiológica em Tete
Resultados do relatório de “Avaliação do aumento de casos de diarreia nas unidades sanitárias dos distritos de Tsangano, Angónia e Macanga, na província de Tete”, conduzida pela Delegação do Instituto Nacional de Saúde (INS) em Tete, recomenda o reforço da formação em vigilância epidemiológica e garantia da distribuição de kits de testagem rápida da cólera.
A recomendação resulta da constatação de que a província tem registado um aumento preocupante de casos de diarreia aguda desde o início do ano em curso, destacando-se os distritos de Tsangano, Angónia e Macanga, com os dados das primeiras cinco semanas epidemiológicas a apontarem para inconsistências significativas entre os registos primários (livros de consultas) e os sistemas de reporte oficiais (BES e SIS-MA).
Trata-se de constatações resultantes da avaliação de 10 unidades sanitárias, conduzida por uma equipa multissectorial INS e do Serviço Provincial de Saúde (SPS), com o objectivo de identificar lacunas na vigilância e propor medidas correctivas.
A análise revelou altas discordâncias nos dados reportados. Por exemplo, no Centro de Saúde de Ulongue (Angónia), apenas 16 dos 82 casos registados na “Semana 5” foram reportados ao SIS-MA, o que representa uma subnotificação de 56 por cento dos casos. No Centro de Saúde de Tsangano, em quatro das cinco semanas avaliadas, nenhum caso foi reportado, apesar de os registos primários indicarem até 17 ocorrências.
Por sua vez, à altura da avaliação, o Centro de Saúde de Chidzolomondo (Macanga) não possuía arquivos físicos dos BES, comprometendo, desta forma, a rastreabilidade.
À luz das constatações arroladas, o relatório recomenda, ainda, o alinhamento dos registos dos sistemas de reporte oficiais com os livros de consultas, mapeamento de bairros críticos para acções de promoção de saúde e produção de retro-informação semanal para a correcção de dados.
Ainda no contexto da análise, nas amostras laboratoriais colhidas (fezes e água) não foram identificados patógenos de alto risco, como Vibrio cholerae, agente causador da cólera, mas revelaram fragilidades na testagem. É que 90 por cento das unidades sanitárias avaliadas não dispunham de kits rápidos para cólera, facto que limita a capacidade de resposta.
A conclusão, em relação ao aumento de casos de diarreia, aponta para falhas sistémicas na vigilância epidemiológica, incluindo omissão de dados, falta de padronização de registos e insuficiência de recursos para testagem, associadas à ausência de fluxogramas de maneio de casos e mapeamento geográfico de focos, o que agrava a situação e dificulta intervenções direccionadas.

O estudo foi conduzido por João Mussora e Miguel Luís, ambos do INS. Foi revisto pelo Delegado do INS em Tete, Mauro Monteiro, e pelo Chefe do Departamento de Saúde Pública do SPS de Tete, Hélder Dombole.