Estudo destaca oportunidade de tratamento de dadores diagnosticados com Hepatite B nos bancos de sangue

Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde (INS), com o objectivo de descrever os marcadores serológicos e moleculares da infecção pelo Vírus da Hepatite B (VHB) em dadores de sangue com resultado positivo na testagem rotineira, realizada no Banco de Sangue do Hospital Central de Maputo, alerta para a oportunidade de uso da referida testagem para identificar e tratar indivíduos positivos para a doença.

Os marcadores estudados incluem a produção de protecção contra o vírus, marcadores indirectos da multiplicação do vírus, existência de modificações genéticas (mutações) com impacto no diagnóstico ou tratamento, quantidade do vírus no sangue, variantes do vírus ou genótipos/subgenótipos.

O estudo envolveu 1502 dadores, dentre os quais 67 (4.5%) tiveram resultado positivo para VHB. As amostras dos dadores positivos para VHB revelaram que não havia modificações genéticas que pudessem afectar o diagnóstico e tratamento, sendo que todos eram susceptíveis aos antivirais usados para controlar a multiplicação do vírus.

Ainda no mesmo estudo, verificou-se que quase metade dos dadores positivos (43.8%) tinha uma quantidade de vírus acima de 2000 unidades internacionais por cada mililitro de sangue, um dos critérios preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para início de tratamento.

Quanto aos tipos de vírus, foi observado que a maior parte (94.3%) era do genótipo A, subgenótipo 1 e a minoria do genótipo E (5.7%). Dados de outros estudos mostram que indivíduos com genótipo A, quando não tratados, têm maior risco de evoluir para cancro do fígado.

O diagnóstico e tratamento para VHB é uma das estratégias preconizadas pela OMS para a eliminação do VHB como problema de saúde pública até 2030.

O estudo foi realizado por Olga Maquessene e Osvaldo Laurindo, sob a coordenação de Lúcia Chambal, Nália Ismael e Nédio Mabunda.

Link de acesso ao artigo: https://www.mdpi.com/1999-4915/17/1/94