FACE AOS ODS: Urge acelerar a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil no país
Moçambique não está no pior cenário em relação às taxas de mortalidade materna, neonatal e infantil a nível da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Porém, apesar dos progressos conseguidos neste campo, o país ainda não está bem posicionado à luz das metas dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O posicionamento acima é de Ivalda Macicame, investigadora do Instituto Nacional de Saúde, que esclarece que os ODS estabelecem a redução do rácio de mortalidade materna para menos de 70 por 100 mil nascidos vivos, da neonatal para menos de 12 por mil nados vivos e da mortalidade de infanto-juvenil para menos de 25 mortes por mil nados vivos.
Diante desta situação, Macicame defende a aceleração das intervenções, argumentando que, se o país continuar com o actual ritmo, só em 2045 alcançará a meta de menos de 25 mortes em menores de cinco anos por mil nados vivos e apenas em 2046 é que poderá alcançar a meta de menos de 70 mortes maternas por 100 mil nados vivos.
“De 1997 até 2022-2023, Moçambique observou grandes progressos na redução da mortalidade em menores de cinco anos, e a mortalidade em menores de um mês, isto é, a mortalidade neonatal, também reduziu. Mas, esta redução não é ainda suficiente para que Moçambique alcance os ODS em 2030”, fez saber.
A investigadora esclarece que, para o cumprimento das referidas metas, é necessário que a redução da mortalidade neonatal acelere mais de três vezes e a materna e em menores de 5 anos até quase duas vezes.

Relativamente à distribuição geográfica, a Ivalda Macicame revelou que as províncias do Niassa e de Gaza apresentam as maiores taxas de mortalidade neonatal, tendo havido excelentes progressos na redução da mortalidade nesta faixa nas províncias da Zambézia, de Tete e Sofala. O aumento da taxa foi observado nas províncias de Nampula e Inhambane.
“Actualmente, temos as províncias de Cabo Delgado e Manica com as maiores taxas de mortalidade materna no país”, fez saber.
Sobre as principais causas de morte neonatal, a investigadora destacou a prematuridade, a sepsis e a asfixia em Moçambique, onde 48% dos óbitos são por prematuridade e um em cada três em menores de um mês é por sepsis.
Quanto à mortalidade em crianças menores de cinco anos, ela refere que, em 2007, observou-se que uma em cada duas crianças morria de malária, porém, actualmente, apesar de a doença continuar uma das três principais causas de morte na referida faixa, houve uma redução significativa. Outras causas são a pneumonia e a diarreia, esta última a liderar.
“Temos uma em cada três crianças de 1 a 59 meses a morrer de diarreias no nosso país. Também, observamos diferenças do perfil do peso de mortalidade pelas províncias”, referiu, acrescentando que, em relação à mortalidade materna, as principais causas directas são as hemorragias, a hipertensão relacionada à gravidez e a sepis, e o HIV aparece como a principal causa indirecta.
A investigadora apresentou os referidos dados durante a I Reunião técnico-científica sobre subsistema comunitário de saúde, que decorreu recentemente na cidade de Maputo, antecedendo o “Fórum internacional sobre subsistema comunitário de saúde e redução da mortalidade materna e infantil em Moçambique”, que teve lugar na última sexta-feira (12.06).
Macicame falou numa sessão partilhada com a investigadora do Ministério da Saúde, Marla Amaro, que versou sobre a “Mortalidade materna, neonatal e infantil: onde estamos hoje”.



