MISAU discute fortalecimento do subsistema comunitário de saúde
A cidade de Maputo acolheu, há dias, uma reunião preparatória do Fórum sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil no país, que teve lugar na última sexta-feira, reunindo líderes políticos, cientistas, parceiros de desenvolvimento e representantes comunitários para partilhar evidências, harmonizar estratégias e assumir compromissos.
O evento visava discutir as evidências e as boas práticas, para além de encontrar soluções para a aceleração da redução da mortalidade materna, neonatal e infantil.
Falando na abertura da reunião técnico-científica, que durou dois dias, o Ministro da Saúde, Usse Isse, vincou que o subsistema comunitário resulta da forte convicção do Executivo de que a saúde começa nas comunidades e nos locais onde as pessoas vivem, trabalham e desenvolvem as suas actividades, pelo que representa uma plataforma estratégica para aproximar, cada vez mais, os serviços à população.
O dirigente lembrou que o evento tem lugar num contexto em que acaba de ser aprovada a Lei do Sistema Nacional de Saúde, na qual o subsistema comunitário de saúde é reconhecido como uma das grandes reformas do sector no presente ciclo de governação, porque constitui um pilar fundamental dos cuidados de saúde primários.
“Como todos nós sabemos, o subsistema comunitário aproxima os cuidados de saúde às comunidades, reduzindo as desigualdades territoriais e sociais, e garante que o pacote essencial de cuidados de saúde chegue às famílias e a todo o país”, explicou, salientando que este subsistema é um mecanismo que assegura o compromisso de não se deixar ninguém para trás.

Na mesma ocasião, Ussene Isse exortou os participantes a assegurarem que as discussões técnico-científicas tragam evidências claras sobre os caminhos a seguir para o alcance das metas definidas até 2030. Ele fez o apelo reconhecendo que a mortalidade materna, neonatal e infantil está a reduzir, mas de forma muito lenta. Nisso, apontou alguns desafios.
“Um dos principais desafios da mortalidade materna é o atraso. A primeira demora ocorre na comunidade. Por isso, o nosso pensamento de trazer o subsistema comunitário para a redução da mortalidade materna, infantil e neonatal é estratégico, pois sabemos que, trabalhando nestas duas componentes, sairemos com o caminho para continuarmos a trabalhar”, argumentou.
Actualmente, o país conta com cerca de 10 mil Agentes Polivalentes de Saúde que, segundo Isse, desempenham um papel fundamental na promoção da saúde, na prevenção de doenças, na vigilância comunitária e na ligação entre as comunidades e as unidades sanitárias.
O Director Nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, disse que a reunião representa uma oportunidade importante para se promover a coordenação em torno de um objectivo comum, que é acelerar a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil, que continua bastante elevada no país, apesar dos progressos que têm sido feitos.
“Este encontro decorre do facto de, ao nível técnico, compreendermos e termos uma forte convicção de que o subsistema comunitário da saúde poderá ser a nossa melhor oportunidade nos próximos anos”, disse.
Por seu turno, o Representante dos Parceiros de Cooperação, Severin Von Xylander, referiu que, apesar de Moçambique apresentar resultados encorajadores em relação à mortalidade materna, em menores de 5 anos e neonatal, o país permanece aquém das metas estabelecidas para o ano 2030, daí que é necessário acelerar os investimentos e os esforços para as intervenções neste campo.
Neste contexto, Xylander defendeu o acesso pelas raparigas e pelas mulheres jovens à educação, incluindo a sexual, e a disponibilidade dos serviços de planeamento familiar para as mulheres, de modo que possam decidir livremente quando engravidar e, por via disso, aumentar a probabilidade de gravidezes seguras e de filhos saudáveis.
O Representante disse acreditar que os debates à volta do tema em relevo conduziriam à identificação das soluções mais adequadas para o país e que os intervenientes renovarão o seu compromisso com a referida causa. No mesmo sentido, ele garantiu o apoio dos parceiros nesta jornada.
“Os parceiros de desenvolvimento, incluindo a Organização Mundial da Saúde, continuarão empenhados em apoiar Moçambique, de forma alinhada, coordenada e solidária”, assegurou.


Para a representante do Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Paloma Maripiha, este evento envolve todos os intervenientes: o Governo, os parceiros internacionais, as organizações da sociedade civil, o sector privado, entre outros, facto que facilitará uma maior divulgação e comunicação.
“Que esta cerimónia traga os resultados almejados. Auguramos que, ao fim do presente fórum, todos saiamos acordados sobre o papel dos actores comunitários na aceleração da redução da mortalidade materna, neonatal e infantil, e os modelos de participação comunitária, sem descurar o empoderamento feminino.



